‘VELHICE NÃO É PARA MARICAS’ de Bety Orsini

Não tinha visto “Fatal”, com Penélope Cruz e Ben Kingsley, e quando um amigo me emprestou o DVD, grantindo que o filme era imperdível, fiquei desconfiada: geralmente suas recomendações me derrubam por conta dos personagens sem saída que ele adora. Bem, eu também gostei do filme de Isabel Coixet, adaptado do romance de Philip Roth, apesar de alguns críticos insistirem que ele tem uma direção piegas, saturada de clichês e nivela por baixo o romance do autor americano.

Em “Fatal”, Kingsley interpreta David Kepesh, um professor e crítico cultural de TV, na faixa dos 60 anos, obcecado sexualmente pela jovem aluna Consuella Castillo, que tem pouco mais de 20. Porém, mais do que um passeio pelo imprevisível desejo humano, o filme trata de um tema angustiante para todos nós, principalmente para quem já ultrapassou a faixa dos “enta”: a passagem do tempo. Não só pelas transformações (para pior) que acontecem em nosso corpo, mas também pela consciência das limitações que a idade nos impõe.

A velhice chega sorrateira e, quando despertamos, ela já está lá, instalada, fazendo você se perguntar a todo instante o que mudou exatamente no seu script. Bom, dentro de você nada mudou, mas como será que os outros enxergam a sua miserável existência? E assim, nesse constante como-o-mundo-me-enxerga-agora vamos entrando na velhice pisando em areia movediça. Ainda mais nos tempos atuais, onde convivemos com uma poderosa contradição: enquanto a ciência tenta prolongar ad eternum a vida humana, de outro lado dezenas de restrições são impostas aos que deixaram a juventude lá atrás.

Na trama de Isabel Coixet, a morte também surpreende com sua ausência de tempo. Quando Consuella adoece e vê ameaçada sua beleza e juventude, é nos braços velhos de Kepesh que ela pede asilo. E é nesse momento que percebemos que, às vezes, juventude e velhice nada significam, são apenas meras possibilidades de futuro sem compromisso cronológico algum. Mas, na maioria das vezes, é como mostra, sabiamente, a citação de Bette Davis: “Velhice não é para maricas”. No mais, é como diz meu amigo Jorge Carlos Silva, figura proeminente na cidade de Araribóia: “A velhice é uma droga, a gente fica careca, com pressão alta, açúcar alto, pele seca e otras coisitas más”. Mas que é bom conseguir pensar sobre tudo isso com humor, isso é muito bom.

Bety Orsini

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Sobre unidadenoespirito

homem de 46 a 55 anos região sul Brasil
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